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sexta-feira

Seres-Amor





Outro dia estávamos eu e meu marido na fila do supermercado à noite, e como sempre fazemos sem planejamento ou montagem de cena, trocamos beijos, abraços e afagos entre uma conversa e outra, e assim fazemos não somente lá, mas em todo lugar. E nos senti observados. Por que geralmente ao ser observados, temos essa sensação. E busquei com a vista quem era.

Era uma menina pequena, de uns 5 ou 6 anos, agarrada à perna da mãe. A mãe com cara séria e fechada e ela com os olhos arregalados me fitando. Demos olho no olho, eu sorri, por que gosto de sorrir com crianças [coisa que já passei a regular, por que notei que muitas mães não gostam dessa simpatia].

Ela se encolheu toda e ficou detrás da mãe. Nós continuamos lá na infinita fila noturna, e ela colocava a cabecinha pra fora de vez em quando, eu passei a apenas olhar pelo canto do olho, por que a senti tímida...

Mas notamos eu e ele, que aquela cena para ela era algo fora do comum, inusitada, pela reação de embasbacamento, pela surpresa no olhar, pela curiosidade... Ao ir para casa no carro, conversamos sobre isso, sobre como carinho, demonstrar carinho é raro, e mais raro para as crianças ver adultos manifestando isto, em público, sem conotações pesadas, claro!

Mas  sim é rara peça no mercado humano demonstrar o que se sente, a necessidade do toque, do amor, do beijo, do abraço.

Creio que falta muito, muito mesmo a manifestação de amor, de carinho, o toque descompromissado, aquele afago natural. A liberdade de sentir o outro.
Nesse distanciamento físico, logo emocional, se criam as lacunas, os vazios, as ilhas.
Somos seres sociais, necessitados de contato, de afeto, mas parece que desejamos inconscientemente nos tornar mecanizados, secos, frios.

Sendo assim a geração que estamos pondo no mundo, se mostra surpresa e assustada ao ver beijos, sorrisos entre "gente grande".

Afagar, acariciar, beijar também foi classificado como coisa do género feminino! Como se o homem estivera imune ao amor... Meninas podem, meninos não por que deixam de ser meninos. Triste mas é assim o pensamento impregnado mundo afora!

E ao crescer vamos podando a nossa imensa capacidade de doar carinho, física e emocionalmente, por que também caímos nessa armadilha da guerra dos géneros e do preconceito, onde abraçar e beijar efusivamente alguém do mesmo sexo indica que você não tem tanta certeza da sua opção sexual.
Isto para mim é por demais patético.

Quiçá se nossos rebentos presenciassem mais dentro e fora de casa beijos e abraços, poderíamos estar criando uma nova geração de seres-amor, de seres-paz, de seres felizes!

Você já abraçou ou beijou alguém hoje?

Beije! Abrace!

Com amor,


Luciana Onofre

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