No Círculo

sábado

O que vai pelo sangue



6 de maio de 2008


Não há como ir contra o que veio antes de nós, ao que somos hoje, como resultado das somas e construções dos que nós antecederam...

Alícia mostra desde cedo o que vai pelas veias, a gana de ir pelo mundo afora, de tecer trilhas sozinha, de viajar, de ser meio andarilha.

Viaja sozinha e sem medo, apesar dos seus sete anos, idade em que muitos se aferram às saias da mamãe e não largam a casa. Desde o ano passado, em suas férias viaja, para longe, vai de avião e volta sem medos quanto ao se vai ser sozinha ou não. Está agora em Brasília.

Planeja ir ao Canadá, para conhecer a neve, para passear e aprender o inglês, claro que há quem fique com ela por lá, outro andarilho da minha família, meu primo.

Semana passada sentou ao meu lado e me disse sem pompa alguma: mamãe eu vou estudar em outro lugar, sabias? Eu a fitei e lhe disse que não, eu não sabia. E deixei que ela continuara falando, me disse que vai "depois" morar lá em Brasília, por que ela quer aprender a "fazer casas" e que acha as casas de lá muito lindas, logo lá deve aprender melhor...
O pai quase morre ao saber.
Eu não.
Por que sou mais uma andarilha.

O que vai pelo sangue da minha família, não fenece, as crenças foram castradas, foram mimetizadas, foram absorvidas por outra crença, mas a nossa natureza não.

De onde vieram os primeiros nossos? Não faço a mínima ideia.
Sei de onde vieram os mais próximos à mim na linha do tempo, mas eles eram nômades, logo os que eram antes deles... Sabem os Deuses de onde vieram...

Posso me dizer cigana? Não, não literalmente, por que mesmo eu sabendo que minha família paterna possui essas raízes, eu por respeito, não farei isso, nunca. Pois não chegou até todo o cerne dessa cultura.

Qual respeito? Respeito à tradição que se perdeu, mas que certamente foi muito importante para os que vieram antes de mim.
O que chegou à mim: a alma cigana, andarilha que mora em minhas veias e nas dos que de mim surgiram, como ela, como Alícia.

Então eu não sofro, não sofro por que sei que ela quer ir embora "depois", nem por que é feliz partindo, mesmo por curto período.

Não sofro por que sou como ela, percorri algumas terras até chegar ao Brasil, e mora em mim aquela coisa, que sempre me sacode e diz "parte, vai"...

Sei que essa gana de ir, essa sede por outros rumos e lugares, pode ser jamais entendida por quem me cerca, e que pode se mal direcionada ser perniciosa, pois vi isso ocorrer, vi membros da minha família até hoje não "estacionar", vivendo num continuo ir e ir.

Mas eu não cortarei jamais os desejos da minhas crias em ir, voltar e ir. Ensinarei o lado bom e o não tão bom disso, estarei sempre "à mão" para acolher. Mas não vou impedi-los de ser.

Tenho além dessa alma andarilha, a herança dos contos e estórias, que minha avó paterna contava.

Tenho como herança a habilidade ou dom de ler as cartas ciganas,o Tarot, e amor mesmo por essa labor. 
Vejo feliz Alícia ir nessa trilha também.

Hoje estou sozinha aqui na Ilha, não há parentes meus aqui, pois eles estão espalhados por aí afora, uns ainda no Equador, na Colômbia, outros pelo Brasil afora, outros no Canadá, outros indo e vindo e indo...

Dizer que não me sinto só, seria hipócrita, mas somos assim, eu após parir, tive que criar raiz, em respeito ao meu parceiro, por que ele é bem terra, bem raiz.

Amanhã? Pode ser que ainda estejamos aqui, ou que tenhamos partido.
Mas o que vai pelo sangue, isso continuará com os filhos dos meus filhos e seus filhos...

Luciana Onofre

 

domingo

Querida Fada dos Dentes...


Achei genial o papel-carta personalizado, qual Fadinha do Dente não ficará encantada ao receber uma missiva assim?

Para escrevinhadores em língua portuguesa basta a mamãe modificar o modelo =)





Grata,

quarta-feira

Artigo: MATRIZ, MÃE, MATERNIDADE




Eis um artigo da  psicoterapeuta Monika von Koss
cuja difusão aqui no Mamães Matrízticas 
foi por ela devidamente autorizada. 
Recomendamos a leitura de todo 
o material por ela produzido.

"De todas as forças que impactaram os grupos humanos ao longo de seu processo evolutivo, a mais fundamental é a maternidade. A força da maternidade é prevalente, porque sem ela não haveria humanidade, sem ela não haveria existência.
É provável que nossos ancestrais remotos não vivenciassem a Mãe Primordial como um ser personificado, mas como uma força que atuava através de tudo que é vivo. A própria força da vida, que ficava evidente no parir das fêmeas e na relação delas com a prole, uma força matriz caracterizada por uma qualidade de cuidado, que denominamos de maternal.
Baseado na percepção do parir, da vida emergindo do interior aquoso do corpo da fêmea, o mundo criado também foi entendido como tendo nascido do oceano-útero cósmico, razão pela qual encontramos o tema das águas primordiais como a origem da vida, nas mais diferentes culturas.
Thales de Mileto chamou estas águas de arché, a ‘causa primeira no começo de todas as coisas’. Em seu sentido de começo, origem, arché compõe palavras como arcaico earquétipo. E é neste sentido que entra na composição da palavra matriarcado, que deve ser lida como ‘na origem, a mãe’.
A criação e o nascimento são inseparáveis da figura da mãe, que nos mitos mais antigos era a divisora das águas, criadora do céu e da terra. No neolítico, ela foi cultuada como a fonte das águas que sustentam a vida, águas que caíam do céu em forma de chuva ou brotavam da terra como fonte, rio ou lago; em todas as épocas, a água representou o poder gerador da grande mãe, a diferença entre a vida e a morte, os dois grandes eventos sobre os quais ela reina incontestável.
Nas fases iniciais da evolução humana, a força que sustentava o campo social era a maternidade, sendo a deusa-mãe geradora de vida a figura central religiosa de qualquer agrupamento humano. O sábio indiano Narendra Bhattacharyya, em History of Sakta Religion, a define como “a deusa cujos humores eram refletidos por fenômenos naturais, cujos amantes eram os espíritos da estação e cujas qualidades foram especializadas pelas deusas posteriores”.
Enquanto gestar e parir são ações biológicas restritas às mulheres, o impulso para maternar, aquilo que costumamos chamar de amor materno, é a expressão do desejo humano de conservar e promover a vida. E como todo desejo humano, é uma escolha mais ou menos consciente, disponível a qualquer ser humano.
O impulso para maternar independe da maternidade biológica, como bem o demonstram mulheres e homens que dedicam sua vida a cuidar de outros, independentemente de serem crianças ou seus filhos biológicos. Não há um instinto maternal, que surge automaticamente da ação biológica do parir, como fica evidente no fenômeno conhecido como depressão pós-parto. Manter e nutrir a vida são escolhas que fazemos; mas, pelo fato destas escolhas terem sido feitas conscientemente por milhares de anos e milhões de seres humanos, ficaram tão profundamente enraizadas na própria essência humana, que a tomamos por asseguradas e nos surpreendemos, quando não ocorrem. Em condições normais, o amor materno é uma emoção resistente e teimosa, que pode ser expressa por todo ser humano.
Historicamente, a ação de maternar está mais associada à mulher, por ser ela a nutridora biológica no início da vida. Mas nutrir não significa apenas alimentar, significa criar um espaço relacional de total aceitação e confiança mútua, baseado em uma convivência corporal íntima, elementos fundamentais para o bom desenvolvimento psíquico e emocional de todo ser humano.
"A relação materno-infantil é um fenômeno biológico humano que envolve a mãe não como mulher, mas como um adulto numa relação de cuidado” escreve Humberto Maturana emAmar e Brincar. Portanto, não é uma tarefa associada ao sexo, mas está muito mais associada com um contato corporal amoroso, que pode ser exercido por qualquer adulto e que vai definir o modo como nos relacionamos e expressamos, à medida que crescemos.
Há diferentes estilos de maternagem, como nos revelam as grandes deusas-mãe dos diversos universos mitológicos.
Na China temos Kuan-Yin, a deusa da compaixão ilimitada, aquela que ouve os gritos do mundo. Ela contempla perpetuamente o frasco dourado de seu próprio ventre, que produz todo o mundo. Ela permeia tudo com extrema suavidade e não exige nada. Ela é a mãe que nos ama de modo incondicional.
No Egito, temos Nut, o firmamento estrelado, que envolve toda a vida no planeta em um gesto de proteção cuidadosa, acolhendo inclusive a morte. Seu corpo-firmamento é a matriz do universo, que se inclina sobre a vaca celeste com o sol em seus cornos, para ele fertilizar com seus raios a terra negra, assegurando nossa sobrevivência. Ela é a mãe que nos protege.
Na Grécia, temos Gaia, a mãe planeta Terra, que é a própria existência material, nossa casa e a mãe das mães. Sua filha Deméter é a deusa-mãe da agricultura, a terra produtiva que gera o cereal que nutre e sustenta a vida. Elas são as mães que nos alimentam.
As mães humanas fazem tudo isto por escolha. E por ser uma escolha, a maternidade é vulnerável à manipulação ambiental, cultural e social.Enquanto maternar é uma escolha, como a realizamos é definido culturalmente e foi se modificando ao longo da história humana, como expõe exaustivamente Shari L. Thurer em The Myths of Motherhood [Os mitos da maternidade].
Na pré-história, quando a opção de maternar ficava a cargo das mulheres, elas escolheram conservar a vida, no sentido de preservar o corpo físico para a continuidade da espécie. Levando em consideração a sobrecarga representada pela maternidade naquelas condições primordiais, a real motivação para maternar foi o amor.
Quando a base econômica dos grupos humanos passou a ser o pastoreio, o parir das fêmeas, animais e humanas, se tornou uma fonte de riqueza. Quando o homem passou a exercer o poder sobre a mulher e sua prole, passou a prevalecer a utilidade social e econômica, entendida como o uso do corpo para a geração de riqueza, para o trabalho e para a guerra. Na idade clássica grega, a mãe cuidava apenas das crianças que eram escolhidas para se tornarem adultos, a escolha cabendo ao pai. Domínio, poder e riqueza determinavam a maternagem.
Na Idade Média, surge uma imagem materna idealizada, a maternidade separada da sexualidade. Não existia ainda a noção de infância, sendo que, a partir dos sete anos de idade, a criança já era considerada adulta e encaminhada para sua função. Com a redução do corpo feminino à função procriadora, dissociada da experiência do prazer, a mulher passou a ser classificada como santa ou prostituta. Seu corpo já não lhe pertencia, era apenas um instrumento, e a maternidade, dissociada do corpo, foi santificada.
Na modernidade, surge o conceito de ‘boa mãe’, uma mulher bem casada, fiel, subserviente e modesta. A mulher se tornou parte da mobília mental do homem e dos filhos, o anjo da casa. Como pessoa, estava a serviço da família nuclear idealizada. A maternagem se resumia à execução das regras estabelecidas por cientistas especializados na criação de filhos. A motivação para maternar passou a ser o sucesso social do marido e dos filhos.
A partir do século XX, presenciamos a reintegração da mulher como pessoa, como elemento atuante na teia social, para além de sua função procriadora e nutridora no seio familiar. Ao saírem de casa para trabalhar, as mães caíram do pedestal e muitas mulheres passaram a viver o conflito entre ser mulher e ser mãe, entre realizareem suas aspirações genuínas como pessoas e as expectativas sociais tradicionalmente depositadas nelas.
O presente sistema de crenças, que fundamenta nossa ação no mundo, é um mosaico destes estágios históricos a respeito da maternidade. Por isto, é urgente revermos nossas crenças e expectativas coletivas em relação à maternidade, para criarmos um sistema que agregue todas as pessoas envolvidas neste ato fundamental para a vida, a fim de criarmos um futuro mais harmonioso.
Em um sentido mais amplo, somos todos integrantes da grande família humana, o que nos torna responsáveis uns pelos outros. Mais especificamente, quando um homem e uma mulher se encontram e trazem novas vidas ao mundo, ambos são igualmente responsáveis pelos cuidados de sua prole. Como estes cuidados serão distribuídos e exercidos pode depender de inúmeros fatores, em cada caso particular. Mas a idéia de que são primordialmente as mulheres que devem exercer os trabalhos de maternagem não é mais sustentável hoje, em que o envolvimento físico e emocional do pai na criação dos filhos se tornou um fator de fundamental importância.
Precisamos nos perguntar quais são as reais necessidades das crianças, aquelas que precisam ser atendidas, para que elas se desenvolvam e se tornem membros saudáveis e felizes da comunidade humana, sem que isto esgote a energia de mulheres e homens no exercício de suas funções como progenitores. Precisamos refletir a respeito de quais recursos a comunidade humana como um todo precisa colocar à disposição dos adultos, para que eles possam desempenhar satisfatoriamente suas funções sociais e familiares, sem negligenciar suas próprias aspirações genuínas.
Para desenvolvermos um modelo de maternidade que esteja à altura de uma nova ordem social, precisamos ampliar a noção de maternidade, retirando-a exclusivamente do universo biológico. Precisamos entendê-la como uma maneira de criar uma nova comunidade, mais ampla e inclusiva, que proporcione a todos os seus integrantes os meios de realizar suas contribuições para esta comunidade de um modo digno, sejam estes meios econômicos, físicos, emocionais, ocupacionais, educacionais, espirituais.
Colocar o valor e o cuidado da vida como objetivo primeiro em todas as nossas ações significa resgatar a escolha original das mães ancestrais. Significa promover a vida em todas as suas formas de manifestação, re-estabelecendo a unidade primordial da criação.
E você sempre pode começar consigo mesmo, maternando amorosamente todas as suas diversas partes, principalmente aquelas que você gostaria de deixar de lado, nutrindo e cuidando de si mesma, para que você se torne um membro valoroso desta família humana. Enquanto você materna a si mesma, você estará maternando a humanidade".
Monika von Koss em março de 2010
terça-feira

O perigo do bebê conforto na cama

Texto do meu blog, sobre um susto meu, que espero, sirva de lição para outras mães não errarem como eu errei...

Deuses meus, outro susto com o Tutu!

Ele sentadinho no bebê conforto, no meio da cama, resolvi ir no banheiro, resultado: Ele se virou, virou o bebê conforto e o dito caiu da cama. Só escutei o barulho, saí desesperada do banheiro e vi o bebê conforto no chão e de cabeça para baixo!

Desesperada desvirei o bebê conforto e Arthur começou a chorar, tentava acalmá-lo quando vi um vermelhinho, fiquei doida, pois saiu um pouco de sangue do nariz, pensei na hora que o tivesse quebrado. O menino chorando, eu tentando usar mais a lógica que a emoção, limpando seu nariz. O sangue que saiu acabou sendo mínimo, secando logo em seguida; apalpava o nariz do menino para verificar se ele estava quebrado e vi que, ainda bem, não quebrou. Rapidamente Arthur já estava sorrindo feliz no meu colo.

Não me lembro mais se a alça estava para cima ou para baixo, portanto, não sei se Arthur bateu o nariz na alça ou no chão, o que sei é que seu nariz ficou meio inchado no local que bateu e vermelhinho entre o nariz e o lábio superior, passei horas olhando o bebê conforto tentando lembrar, mas foi em vão. Agora não importa mais onde ele bateu o nariz, importa é que bateu.

E aposto que sei como isso aconteceu, pois Arthur tem reproduzido algo que viu na creche; ele tem se virado no bebê conforto, mesmo com o cinto de segurança, como quem tenta sair dele. O detalhe é que o menino que faz isso na creche já é maior que ele e sabe andar, por isso nem usa mais o cinto de segurança do aparelho, assim, entrando e saindo dele quando acha melhor. Agora coloque na cabeça de Arthur que ele não pode fazer isso? Impossível!

Claro que nesse meio tempo, até saber se Arthur estava bem ou não, liguei para o pai dele, que de carona já estava voltando para casa, deixei ele seguramente preocupado; quando vi que as coisas estavam mais calmas e tranquilas, liguei novamente para o pai a fim de acalmá-lo.

Em casa, com outros olhos, o marido verificou o mesmo que eu, que Arthur estava bem, meio choroso para chamar a atenção e ganhar com isso um colinho mais especial e demorado, mas com nada quebrado.

Não nego, que embora não tenha culpa por ter ido ao banheiro, me senti super mal pela queda do Arthur. O que me revolta é que ele sempre ficou no bebê conforto e na cama, para poder assistir melhor os desenhos que passam na TV e foi só me ausentar um pouquinho que o desastre aconteceu.

Agora o que me resta é aproveitar a ida ao pediatra amanhã, para ver as pintinhas do corpo dele e claro, pedir uma olhadela especial no nariz do menino.

Ficou a lição, bebê conforto na cama, sem alguém do lado, nunca mais...


Ler! Por que sem Ler não há o Crescer!




Visitando este blog "Ler para crescer" confirmei que a forma como fui educada no quesito leitura, foi uma bênção para mim e para minha cria.

Cresci dentro de uma família leitora e escritora, meu avó materno além de Diplomata era escritor...
E foi vendo-o escrever horas a fio em sua escrivaninha e mergulhado nas suas infinitas estantes, que absorvi a arte de ler naturalmente.
Minha mãe também sempre foi e é uma fiel leitora, e incentivou em mim, minhas horas absorta em páginas grandes ou pequenas...

Livro é caro no Brasil, o que me causa grande aflição, pois são eles os que nos permitem acessar mil mundos, de uma forma muito mais sinestésica do que a net, mesmo que possa parecer isto impossível, mas é com eles em mãos que podemos pausar a leitura, divagar sobre as linhas escritas, imaginar as cenas lá postadas, e voltar desse devaneio e seguir o rumo das narrativas até o fim do livro...

Amo livros, e de uma forma quase, senão viciante...
Se me perguntarem qual o melhor presente, direi sempre: um livro!

Feiras casam com essa sede de leituras, mas nem sempre os preços por elas ofertados casam com nossos bolsos, cai aqui a questão dos e-books, livros virtuais, que a principio não me eram muito simpáticos... 

Aqui em casa fazemos jus à aquela frase feita de "carrego um livro na bolsa" literalmente!
E eles ocupam todos os espaços da casa, não os banheiros por não ter idealizado ainda uma forma de dispô-los por lá. Mas os livros são parte do nosso cotidiano. Livros em minha língua e em português.
Livros de todos os tamanhos, genêros e autores, pois aprendi nas escolas colombianas, que bom leitor lê tudo, e até o fim...

Então minha cria, pequenina, antes de ganhar brinquedos, antes de sair da barriga, já tinha livros em suas estantes ;D

Eles lêem, ao seu modo, no seu ritmo, com seus gostos particulares.
E "copiam" a mamãe ao ter sempre à mão um livro. Ou mais de um, pois consigo ler mais de 1 no mesmo período.
Acho que amor por leitura muitas vezes deriva num apego à escrita... daí meu marido sempre me cobra que publique os que já escrevi, e escreva mais, porém padeço de um mal: o de achar que sempre pode algo ser melhor escrito, suprimido ou acrescentado, e aí o tempo passa e não publico nada :D

Visitem este blog que indico no começo deste post.
Vale muito a pena, para manter-nos por dentro dos títulos lançados do universo infantil e por dentro do mundo da arte de ler desde pequenos...

Beijos,

Luciana Onofre
domingo

Ótimo com ele, bom também sem ele

Texto do meu blog que divido com vcs aqui tb...


Após uma semana tumultuada, com um treco que nunca havia tido antes e que me fez tremer com calafrios à tarde toda e febre de quase 40 graus, pude hoje, finalmente, escrever esse relato:

No meu aprendizado em ser mãe, percebi/relembrei que pequenas coisas podem me dar grandes alegrias.

Estar com meu filho é ótimo, mas ter momentos só meus é muito bom.

Nessa semana me dei esse luxo, graças ao atestado de sinusite que adquiri; como não queria que Tutu ficasse muito perto de mim, para que a gripe dele não voltasse, deixei ele dois dias no integral da escolinha. Tudo bem que no primeiro dia em casa, graças aos efeitos dos remédios, literalmente morguei a manhã inteira na cama, impossibilitada de abrir o olho e acordar de fato; era tanto sono, que a manhã passou rápido, que só acordei ao meio-dia com o telefonema do marido, preocupado em saber como eu estava.

Ainda zonza, continuei tendo atitudes normais de quando Tutu está em casa, a televisão em som baixo, menos barulho ao fechar portas e gavetas, e até mandar as cadelas calarem a boca para não acordar o menino. Só depois de horas que me dei conta que como ele não estava em casa, os barulhos poderiam voltar a soar dentro de casa, rs. Mas já era tarde demais, metade da tarde já havia passado.

Nem dei conta da casa, não sei se por conta da sinusite ou agravada pelos remédios, meu dia foi letárgico, sem vontade de fazer absolutamente nada, só ficar na cama, jogada, folheando as revistas de meses atrás que estavam na mesinha de cabeceira, esperando em vão pelo momento certo.

Quando o marido chegou com o filhote, pude perceber o quanto foi bom o dia, afinal eu dormi e relaxei; foram horas de sono que precisavam ser repostas, li as revistas que já me olhavam feio por estarem ali do meu lado e não serem folheadas, larguei a casa à própria sorte e ela não desabou, só continuou como estava no dia anterior e nem a pia atentou a minha mente com suas propostas de uso.

Tive uma noite boa e tranquila, pois Arthur parecia saber que eu precisava descansar.

No dia seguinte, meu segundo dia de atestado, foi bem diferente...

Com a casa finalmente vazia, não me deixei vencer pelos remédios; tudo bem que fiquei rolando na cama, curtindo o momento, mas depois respirei fundo e fui à luta.

Resolvi aproveitar o dia e dar conta da casa, de mim e da minha alegria, afinal era sexta-feira e toda sexta é especial para mim.

Começei arrumando a casa, depois fui para a parte que muita gente (nem eu) não gosta, LIMPEZA.

Limpei móveis, varri chão, usei esfregão e passei produto de limpeza, escovei e lavei cada briqnuedo de Tutu, paguei promessa andando de joelhos no tapete alfabético do menino com o pano e o àlcool na mão, esfreguei cada letra e número daquele quarto, lavei banheiro, área de serviço, cozinha, garagem, canil, respirando bem fundo, limpando também minhas via aéreas e terminei passando cheirinho no chão e incensando a casa; agora pergunta se eu estava cansada... Muito pelo contrário, estava num pique de dar inveja e feliz pela casa limpa, tanto no físico quanto no astral.

Agora essa empolgação toda tem um motivo, simples, banal, mas maravilhoso para mim; fiz tudo isso ouvindo música, de Guns à Lady Gaga, de Loreena à música indiana, tudo em som alto, comigo cantando, dançando e rodopiando abraçada com a vassoura, fazendo dela um par mágico e usando o pano na mão como um véu colorido. Pq eu gosto de música, sou habituada a ter música em tudo que eu faço, música em som alto, para remexer e espantar as energias ruins. Infelizmente, isso não tem sido mais um hábito, afinal de contas, tenho um bebê em casa e me policio quanto ao volume do som.

Quando marido e filho chegaram em casa, eu já estava com a sensação de missão cumprida, não pela limpeza da casa em si, mas pelas horas maravilhosas que tive comigo mesma, por dançar sozinha pela sala, pelas revistas que finalmente consegui terminar de ler, pelo livro que iniciei, pelo final de tarde de brincadeiras e carinho com as cadelas, pelas horas gastas num banho longo e revigorante, pela continuação de uma promessa antiga, de fazer minhas sextas-feiras sempre um dia especial.

Mas não terminou aí, no sábado continuei com o momento "eu comigo mesma", fui ter uma manhã de mulherzinha, ida ao salão para cortar os cabelos, tinturar as madeixas e as unhas, escutar e conversar com mulheres conhecidas e outras que nunca vi. Saí do salão uma nova Flávia, até cantada eu levei, rs. Depois tive pique para tentar trocar uma camisa (não consegui), comprar um presente lindo para o niver de minha mãe, tirar foto 3x4 e almoçar sozinha, escutando a garçonete me chamar de senhorita e gostar.

Só depois das 2 da tarde é que cheguei em casa, significativamente renovada.

Tudo bem que ainda fui bater perna com meus homens nas concessionárias em promoção, para tentar trocar de carro e descobri infelizmente, que quanto melhor é o preço da oferta, menos dão de valor em seu carro (¬¬), mas nem assim o dia ficou cinza, fiz test drive num carro que considerava ruim e me apaixonei por ele, pena que não posso comprá-lo, coisas da vida...

Mas o que eu quero realmente dizer com esse relato é que por mais que um filho complete a nossa vida e a mude completamente, momentos só seus, sem ele, no estilo "eu comigo mesma", ainda é um momento maravilhoso que nos faz voltar ao tempo em que a gente, orgulhosamente, sempre era em primeiro lugar.

Um viva para momentos assim, momentos que nos fazem bem!!!!

sexta-feira

Religião e Religiosidade

do Tumbrl




- "Que é um rito?" perguntou o principezinho.
-"É uma coisa muito esquecida também", disse a raposa.
- "É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias: uma hora, das outras horas".

(Saint-Exupéry, 1956, p.71)


Para aprender sobre a importância do Rito, é preciso que se saiba um pouco sobre "religiosidade" e "religião".

Não vejo muito material impresso que fale de forma simples deste assunto. Pelo menos não material pagão. Há os das crenças predominantes...

Coloco aqui a forma que encontrei para passar conceitos aos meus filhos sobre o tema:


O que é Religião?

Religião é o caminho que escolhes para te comunicar com Eles, com teus Deuses...
É um conjunto de atos, atividades, formas de pensar que escolhemos porque nós mostram a melhor forma de viver e ser, como pessoas unidas a outros que pensam de forma semelhante, e que se sentem conectadas com os Deuses, ou um Deus.
Religião é o elo, que crias entre teu mundo e o Deles.
São muitas, aquelas que acreditam em muitos Deuses e Deusas, como as Politeístas; outras possuem um Deus; como o cristianismo, islamismo.
Mas todas, todas são elos entre as pessoas, e o Sagrado.


O que é Religiosidade?

É aquele sentimento profundo de ligação com o teu interior, com a vozinha que te fala, que te faz sentir necessidade em descobrir coisas do lado de fora que te façam sentir paz, tranqüilidade e amor pela Vida, é a energia que te permite descobrir ao mundo e a ti como Sagrados.
Que te faz sentir prazer em falar com os Deuses.
E esperar que te ouçam...

Bênçãos dos teus Deuses!

Luciana Onofre


[uma vez publicado no Crianças Pagãs, em 08/01/2009]





 

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